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Transmissão na TV, sucesso de audiência e mais: Futebol Feminino vive ano marcante no Brasil



Esportes
Mesmo com o time do Brasil  não correspondendo  dentro de campo, o futebol feminino ganhou espaço relevante na mídia esportiva em 2019,   como pôde ser visto na Copa do Mundo

                                      Foto:  Daniela Porcelli/CBF

 O Brasil não venceu a Copa do Mundo, a jogadora Marta não foi eleita a  melhor do mundo, tão pouco  brilhou com a camisa da amarelinha nesta temporada. Mas nada disso apaga o grande ano que foi e está sendo para o futebol feminino brasileiro.

A modalidade, que sempre foi tratada  com desprezo e preconceito pela sociedade brasileira, deu um “start” e mudança de paradigma em 2019. Tudo começou com a disputa do Mundial Feminino, realizado entre junho e julho na França. Foi a primeira vez na história que a TV Globo mostrou os jogos da seleção brasileira feminina no torneio.

Foram apenas quatro jogos da seleção brasileira com  transmissão na maior emissora de TV do país,  já que o Brasil  acabou sendo eliminado nas oitavas de final para a França. Porém, não deixou de ser histórico. Existiu uma grande  mobilização das pessoas para assistirem aos jogos das meninas, seja em casa, nos bares ou em  outros estabelecimentos.
E para quem dizia que o futebol feminino não dá audiência, os números mostraram que existe público para consumir o esporte das mulheres. Nas oitavas de final contra a França, por exemplo, a modalidade obteve a maior audiência da história do Mundial. Mais de 35 milhões de telespectadores acompanharam o jogo, juntando as transmissões de Globo, Band e SporTV.
E não parou por aí: na volta da delegação da seleção amarelinha  ao Brasil, mais precisamente em Guarulhos (SP), um número significativo de torcedores foram recepcionar as jogadoras.

Além disso, mesmo sem o Brasil na grande decisão, a TV Globo decidiu mostrar a final entre Holanda x Estados Unidos e não se arrependeu: mais de 19 milhões acompanharam o jogo na TV 'plim plim'. 

Rafael Alves, criador do site “Planeta Futebol Feminino”, disse que nunca tinha visto nada igual na modalidade em termos de repercussão e visibilidade:


“Para mim, eu nunca vi nada igual. Eu já vi algo parecido em outros períodos de Copas e Olimpíadas, mas não com esse tamanho, com tanta gente se interessando em falar de futebol feminino, buscando informação. É o maior momento sem dúvida nenhuma - da modalidade. A gente vai ter isso ano que vem ainda e a prova de fogo: se depois das Olimpíadas vai ter essa pujança que teve o futebol feminino no ano de 2019. Eu, honestamente, acredito que sim, que a gente pode estar bastante otimista para esse período que está por vir, sobretudo depois das Olimpíadas”, opinou.

Futebol Feminino não parou depois da Copa

E mesmo após o fim da Copa do Mundo, o futebol feminino não caiu no esquecimento dos torcedores,  tanto que o segundo jogo da final do Paulistão Feminino entre Corinthians e São Paulo, dia 16 de novembro, na Arena de Itaquera, teve um público superior a 28 mil pessoas. O Timão acabou sendo campeão ao ganhar por 4 x 0 no agregado (ida e volta).

Apesar de todo esse “barulho” que o futebol feminino provocou em território brasileiro, a modalidade ainda não é vista como algo rentável por dirigentes de futebol,  não à toa que poucos clubes tratam o esporte das mulheres como profissional. São Paulo e Palmeiras, por exemplo, criaram  seus times femininos apenas nesta temporada. O Santos, que sempre foi visto como referência, colocou as Sereias da Vila para atuarem no Estádio Ulrico Mursa, com um gramado impraticável.

O jornalista Allan Simon, colunista do Torcedores.com e colaborador do UOL Esporte, destacou que falta uma percepção dos dirigentes que o futebol feminino pode ser interessante e citou audiência da Band:

“Falta uma percepção óbvia que os nossos dirigentes, em sua maioria, ainda se recusam a ter: o futebol feminino é interessante, atrai público e pode render dinheiro. Ninguém quer comparar ainda com a capacidade de atrair bilhões de reais que o masculino tem. Mas é uma questão de tentar monetizar isso de alguma maneira, trazer patrocínio, mídia. A Band consegue audiências maiores que a média da grade com outras programações”, explicou.

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