EDITORAL - FUTEBOL BRASILEIRO
Por Matheus Henrique Vieira Ramos
O 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa do Mundo continua até os dias atuais. E não é apenas dentro de campo, já que nos últimos anos Grêmio e Flamengo foram campeões da Copa Libertadores, e a seleção brasileira ganhou a Copa América. O futebol brasileiro segue atrasado pelo pensamento medíocre de jogadores, dirigentes, torcedores e jornalistas.
O caso do Cruzeiro é emblemático, que está na iminência de ser rebaixado. O clube aparece envolvido em várias irregularidades, como suspeitas de lavagem de dinheiro, uso de empresas fachadas e por venda de direitos econômicos de um menor de idade, o que é proibido pela lei.
Inocente quem achou que isso não ia refletir no campo. Com salários atrasados, Cruzeiro caiu na tabela, trocou de treinador, veio Rogério Ceni, que foi engolido no vestiário por Thiago Neves, Dedé e cia... os dirigentes ficaram ao lado dos atletas e contrataram um novo treinador - Abel Braga -, que pediu demissão após derrota para o CSA. Adilson Batista irá comandar o clube nas rodadas finais do Brasileirão. O Alviceleste cumpre com perfeição o manual do rebaixamento.
O Fluminense é outro exemplo que envergonha o futebol brasileiro. Durante o jogo entre o time carioca e o Santos, válido pela 21ª rodada do Brasileirão, Ganso chamou o então treinador do Fluminense, Oswaldo de Oliveira, de “burro para cá...”, que retrucou xingando o camisa 10 do Tricolor de “vagabundo”.
E o que aconteceu? Oswaldo de Oliveira demitido e no jogo seguinte Ganso foi capitão da equipe das Laranjeiras contra o Corinthians. Um recado claro da diretoria do Flu: “quem manda são os jogadores”.
Foto: LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE F.C.
Existe no futebol brasileiro uma superproteção aos jogadores. Dirigentes têm medo de bater de frente com os “medalhões”, torcedores e jornalistas tratam os atletas como heróis e vilões. Em uma relação profissional é inaceitável um empregado criticar seu patrão, mas isso acontece aos montes em clubes de futebol.
No Santos, por exemplo, o treinador Jorge Sampaoli e o zagueiro Lucas Veríssimo já criticaram publicamente o presidente José Carlos Peres, que nada faz. Em uma empresa correta tais atitudes seriam cabíveis de demissão.
Calendário do futebol brasileiro é outro assunto importante
Os principais campeonatos do mundo param em jogos das seleções – a chamada Data Fifa -, só o futebol brasileiro que não paralisa suas atividades. Em várias rodadas do Brasileirão os times foram desmanchados por convocações de seleções. Neymar, principal estrela do futebol brasileiro na época, ficou quase um turno desfalcando o Santos para jogar na seleção de Mano Menezes, em 2012.
Foto: Ricardo Saibun / Divulgação Santos FC
Juninho Paulista, coordenador de futebol da CBF, afirmou que em 2020 os clubes não vão ser mais desfalcados por seleções em Data Fifa, mas ele esqueceu de dizer que o Brasileirão continuará normalmente durante a Copa América. Definitivamente, o placar aplicado pela Alemanha em cima do Brasil foi muito maior que apenas o 7 x 1.


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