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"O Baixa Experimenta busca criar um sentimento de pertencimento do povo com Londrina", diz Tatiana



Por Matheus Henrique Vieira Ramos





                                       
 Foto:  Arquivo pessoal Matheus Henrique -  Tatiana e Duda foram entrevistadas no Café Royal por Matheus Henrique.




Criado oficialmente em 2012 por duas jornalistas - Tatiana Ribeiro e Maria Eduarda Gomes -  o Baixa Experimenta busca dar dicas gastronômicas da cidade de Londrina e é um sucesso, tanto que o perfil no Instagram tem quase 40 mil seguidores.  

Além disso, o site do  Baixa já ultrapassou a marca 3 milhões de visualizações  e conta com parceiros pontuais e fixos, como Shopping Catuaí e Acil Londrina. O projeto também tem um canal no Youtube e um aplicativo para celulares.

 Entretanto, no começo do projeto, as meninas pensavam o Baixa como um hobby, não vislumbrando alcançar o sucesso e a repercussão que existe hoje:

- Não esperava (o sucesso do Baixa), era um hobby.  A gente colocava uma matéria no ar e falava: “meu, quem vai ler”? Nossos amigos, nossas famílias, vão ler",   contou Duda, em tom descontraído. 

Apesar de ter na gastronomia como carro-chefe, o Baixa também promove e divulga festivais, sendo um diferencial do projeto das meninas. Tatiana acredita que isso ajuda a criar um sentimento de pertencimento das pessoas com a cidade, já que isso possibilita conhecer mais da cultura londrinense.

Confira agora a entrevista completa com Tatiana Ribeiro e Maria Eduarda Gomes, que explicaram  como surgiu a ideia da criação do projeto gastronômico, por qual razão  o Baixa mudou de nome – antes se chamava Baixa Gastronomia -   e outras curiosidades.

Matheus Henrique: Quando vocês estavam fazendo o curso de jornalismo pensavam em seguir para o ramo da gastronomia?

Duda: - Não, sempre gostei de comida, mas assim, não tinha uma ideia que eu iria trabalhar nisso.


Tatiana: - Nem pensava em gastronomia. Eu era uma frescurenta para comer, quando tinha 17 anos não sabia cozinhar, mas fiz jornalismo porque gostava de ler, escrever, e queria fazer reportagens, trabalhar em revistas. Aí, a parte gastronômica, só veio depois que me formei.


Matheus Henrique: Quando surgiu a ideia de criar o Baixa?

Duda: - Por volta de 2011 (a ideia de criar o Baixa). A  gente tinha se formado, eu fui trabalhar com eventos, produção cultural, cada um com seu caminho, a gente nem tinha muito contato. Aí comecei a me interessar por mais coisas da gastronomia porque em Curitiba tinha o Baixa Gastronomia, que era um grupo no Facebook que eles  compartilhavam coisas de comer antigas. Aí falei: “meu, vou fazer um grupo desses aqui em Londrina, tem muita coisa de comer gostosa e as pessoas não conhecem”. Criei esse grupo, mas nunca postei nada e a Tati veio, me falou e veio com a ideia do blog.


Tatiana: - Eu estava em uma agência, aí tinha alguns clientes de restaurantes, estava pesquisando e vi que no RS tinha muito blog de gastronomia – eu nunca tinha ouvido falar nisso -. Eu vi que tinha alguns blogs que não eram críticos gastronômicos, mas sim de pessoas que iam no lugar e falavam da experiência de o  que comer. Eu comecei escrever para um desses blogs, mas queria fazer uma coisa minha – amo escrever, tirar foto, contar histórias – aí quando vi que a Duda tinha criado um grupo, fui falar com ela para fazer algo.


Matheus Henrique:  Além do Baixa, vocês têm outros projetos?

Duda: - Eu trabalho com essa parte de produção cultural ainda e também com  marketing, porém, mais  com essa parte de cultura mesmo.


Tatiana: - A gente criou o Baixa oficialmente em 2012.  Nesse tempo todo a gente ficou trabalhando em agência, eu saí  da agencia e fiquei só com o Baixa, a gente se frustou, voltamos a trabalhar, fizemos freelas. A gente está sempre em movimento. Eu trabalho  na escola PGD com marketing  e faço o Baixa.


Matheus Henrique: Alguém ajuda vocês para cuidar do site e  das redes sociais?

Duda: - Por enquanto só nas duas, mas quando a gente foi criar o site, contratamos uma empresa de Curitiba, que fez o site e quando precisa de algumas coisas de materiais gráficos, a gente tem algumas agências  que são parceiras.

Matheus Henrique: O site chamava Baixa Gastronomia e mudou para Baixa Experimenta. Por quê?

Tatiana: Quando a gente criou o Baixa, a Duda se inspirou no Baixa Gastronomia  Curitiba. Baixa Gastronomia é um movimento, criado por um escritor, Rui Castro, que ele fez uma brincadeira em um texto dele e ele quis dizer que a Gastronomia é sensível a todo mundo, comida de boteco também é comida boa, então é um termo na verdade. Aí a gente criou, porque nossa ideia no início era falar de boteco ou coisas mais simples. Só que lá em 2012 não tinha nem Instagram, Blog,  que cobria essa feira gastronômica da cidade. Então, a gente resolveu falar de tudo, e com o tempo foi ficando até difícil de explicar  para os nossos clientes e anunciantes fora de Londrina, porque nosso trabalho sempre foi um pouco além da gastronomia, passou para a parte cultural, aí mudamos o nome.

Matheus Henrique: Vocês esperavam tamanho sucesso com o Baixa?

Duda:  Olha,   não esperava (o sucesso do Baixa), era um hobby.  Obviamente, a gente sempre teve as coisas bem definidas – vamos sempre pagar nossas coisas, nós vamos tirar fotos, vamos mostrar a comida real, um texto descontraído. A gente sempre teve essas regrinhas.  Quando começamos a gente colocava uma matéria no ar e falava: “meu, quem vai ler? Nossos amigos, nossas famílias vão ler”. Mas, o Facebook estava bem no começo, a gente já jogava as coisas lá, e isso deu uma visibilidade muito grande ao Baixa.


Tatiana: - Assim, no começo a gente teve essas regrinhas, mas não imaginávamos, de verdade, ter um  negócio. Não passava pela nossa cabeça. Era mais um projeto que veio do coração. A gente era muito de recomendar coisas para os outros comerem, então era algo que estava dentro da gente. Essas regrinhas eram: “não vamos tirar foto com flash, porque deixa feio, não vamos falar mal de restaurante, porque já tem muita notícia ruim, vamos valorizar o que é bom”. Então, a gente sempre teve esses valores e de pegar o lado humano de cada lugar.


Matheus Henrique:  projeto Baixa Experimenta  é rentável financeiramente?

Tatiana: - A gente tira a renda dele (do Baixa),  mas complementamos  a renda. Já teve fases que já vivemos só dele, mas  hoje tanto por questão financeira, como por desejo nosso também, porque gostamos de muitas outras coisas, a gente se dedica a outras atividades. Então, não vivemos só do Baixa, mas é quase só do Baixa. Mas, a gente gosta muito de falar  isso, abrir o jogo mesmo, porque as pessoas olham e falam: “internet, vou ganhar dinheiro, ai que legal, comendo de graça”. E não é assim, na maioria das vezes a gente paga nossas contas, quando é conteúdo patrocinado, a gente vai visitar antes, experimenta, vê se é bom e  quando tem certeza que é bom, aí fechamos contrato e recebemos  por isso.

Matheus Henrique: Vocês se sentem obrigadas em divulgar restaurantes e bares que as solicitam?

Tatiana: -  Não, porque isso é uma coisa que a gente conseguiu deixar bem claro para os restaurantes que vêm nos abordar, que ocasionalmente ele pode aparecer no marketing espontâneo, ou a gente pode criar uma estratégia para divulgar o restaurante dele, isso se a gente gostar.

Matheus Henrique: Além da gastronomia, qual o maior prazer em fazer o Baixa Experimenta?

Tatiana: - Eu amo conhecer a história de vida das pessoas, sabe? E  na gastronomia você acaba conhecendo gente que fez uma carreira e foi para outra.  Isso até me emociona.

Matheus Henrique: A produção de eventos e festivais é um diferencial do Baixa?

Duda: - A gente produz festivais e feiras gastronômicas – o primeiro foi em 2014 – e era um festival que envolvia vários restaurantes de Londrina, para cada um criar um prato, comer e ajudar a resgatar essa história gastronômica de Londrina. Então, acho que isso tem uma relevância bem grande.

Tatiana: - A gente gosta muito de Londrina, no TCC da faculdade eu fui muito pelo lado da história, da memória, a Duda fez um livro-reportagem sobre  festival de música. Nós temos muito apreço por resgatar a história da cidade. Então, os festivais e as feiras foram uma forma da gente fazer algo mais palpável.

Matheus Henrique: Vocês acreditam que os festivais e eventos do Baixa Experimenta ajudam a aproximar o povo londrinense de sua cultura local?

Duda: - Sim, acho que a intenção é essa, criar uma identificação com a cidade.

Tatiana: - Eu acho que ajuda. Até não vou lembrar a autora agora, mas na época do meu TCC eu vi alguma coisa sobre   como o resgate da história pode ajudar na autoestima de uma população. Porque quando você vê sobre sua cidade, você fala assim: “meu, isso é muito legal”.  Você vai criando um orgulho, em vez de você falar: “Londrina não tem nada, não meu, olha isso que tem em Londrina”. Você vai criando um sentimento de pertencimento. Então, é isso que a gente busca com nossos eventos, para pessoas se orgulharem de estarem aqui.


Matheus Henrique: Para finalizar a entrevista, algum bar, restaurante, para indicar?

Tatiana: Deixa eu falar essa. É o café que a Duda vai abrir um dia (risos). Quer uma dica que a gente nem postou ainda? Botequim Esperança, é um barzinhho novo que abriu na Rua Rebouças. É muito legal. 

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